Foto:Marcelo Mdrs
Habitada por 4.300 pessoas, a ilha de Samso, situada no Estreito de Kattegat,
na Dinamarca, possui 100% de energia proveniente de fontes renováveis e ainda
consegue excedentes energéticos que são repassados à rede pública e também são
vendidos no mercado de carbono. De cada dez propriedades da ilha, sete usam o
vento ou o sol para produzir energia.
Em entrevista ao Jornal Nacional, um fazendeiro local revelou que a sobra de
energia gera um faturamento equivalente a R$ 1 milhão por ano, o triplo do que
rende o gado. "Eu vendo mais eletricidade do que leite", contou ele.
Para exportar a eletricidade para o continente, a ilha utiliza cabos
submarinos, que antes levavam petróleo e gás para abastecer os habitantes do
local. O lucro de R$ 80 milhões por ano é usado em obras sociais pela associação
de moradores.
A bicicleta é o meio de transporte mais utilizado na ilha/Foto: Phil LaCombe
A península possui também 70% do sistema de aquecimento gerados por energia solar e feno, além de bicicletas como veículos prioritários e carros elétricos em sua maioria. A pegada ambiental em Samso é praticamente zero.
O resultado por utilizar energias renováveis é refletido na comunidade, que ostenta um dos melhores índices de qualidade de vida do mundo, segundo o Time Magazine.
A península possui 10 turbinas eólicas no mar/Foto: Marcelo Mdrs
Como tudo começou
A pequena ilha dinamarquesa sempre foi conhecida por sua produção de
laticínios e criação de suínos. Quase toda a sua energia advinha de petróleo ou
carvão e a comunidade nada sabia sobre energias renováveis. Em 1997, ela ganhou
um concurso patrocinado pelo Ministério Dinamarquês de Ambiente e Energia, que
foi o responsável por torná-la modelo em energia sustentável.
O governo inicialmente não ofereceu financiamento, incentivos fiscais ou
conhecimentos técnicos. O morador local Soren Hermansen foi quem enxergou uma
boa oportunidade para a península adotar as energias renováveis.
Professor de estudos ambientais em uma escola da região, Hermansen se
ofereceu para ser o primeiro (e único) funcionário quando o projeto de energia
renovável finalmente conseguiu algum financiamento. "Eu percebi que isso poderia
acontecer", lembrou.
Grande parte do sistema de aquecimento de Samso é feito por energia solar/Foto:Phil LaCombe
Hermansen aproveitou da união e conservadorismo dos moradores da ilha e os
convenceu a participar do projeto. Ele relatou que apareceu em todas as reuniões
da comunidade para dar seu passo em direção ao "verde".
Com um grupo maior de apoio, várias ações em novas turbinas eólicas foram
compradas, o que gerou o capital para construir 21 aerogeradores em terra e em
alto mar.
Atualmente, Hermansen é diretor do centro de estudos de energias Samso Energy
Academy. Ele viaja para diversos países contando a experiência de sucesso, que
ele atribui a todos da ilha.
Segundo o diretor, a maior lição de Samso é que as mudanças ambientais só
podem vir de baixo para cima. "As pessoas dizem para pensar globalmente e agir
localmente. Mas eu digo que você tem que pensar localmente e agir localmente, e
o resto cuidará de si mesmo", ressaltou.